{"id":712,"date":"2023-06-19T23:09:05","date_gmt":"2023-06-19T23:09:05","guid":{"rendered":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/glossary\/maria-ondina-braga\/"},"modified":"2025-07-03T11:24:47","modified_gmt":"2025-07-03T11:24:47","slug":"maria-ondina-braga","status":"publish","type":"glossary","link":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/glossary\/maria-ondina-braga\/","title":{"rendered":"Maria Ondina Braga"},"content":{"rendered":"<p>Nascida em Braga, em janeiro de 1922, Maria Ondina Braga instaurou uma data fict\u00edcia de 1932 para o seu nascimento, do mesmo modo que outros escritores encontraram pseud\u00f3nimos. Numa entrevista concedida \u00e0 revista <em>O Escritor<\/em>, em Novembro de 1991, a autora (1922-2003) refere ter sido, aos 23 anos, a primeira jovem de Braga a ir como <em>au pair<\/em> para o estrangeiro \u2013e que o fez ap\u00f3s um longo per\u00edodo de doen\u00e7a, lan\u00e7ando um desafio a si pr\u00f3pria \u201cpara ver do que era capaz\u201d. Com efeito, esta ida para Inglaterra, nos anos 50, onde ficou durante tr\u00eas anos, foi o primeiro de muitos desafios, tendo a autora vivido depois em Fran\u00e7a, Angola, \u00cdndia (Goa) e China (Macau e Pequim).<\/p>\n<p>Viajante incans\u00e1vel, foi tamb\u00e9m professora e tradutora, tendo traduzido, entre outros, Graham Greene, John Le Carr\u00e9, Anais Nin, Bertrand Russel, Marcuse e Todorov, al\u00e9m de obras de literatura juvenil e de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Colaborou na p\u00e1gina liter\u00e1ria do <em>Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/em>, no <em>Di\u00e1rio Popular<\/em>, <em>A Capital<\/em>, e nas revistas <em>Panorama<\/em>, <em>Mulher<\/em>, <em>Ac\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>Col\u00f3quio Letras<\/em>.<\/p>\n<p>O cruzamento de culturas e l\u00ednguas que atravessa as suas narrativas enraizadas em viv\u00eancias alia-se a uma incessante demanda de si pr\u00f3pria. Neste contexto, assume especial relev\u00e2ncia o territ\u00f3rio de Macau, configurado, nas suas diversas vertentes, como o espa\u00e7o privilegiado de descoberta e constru\u00e7\u00e3o da identidade do \u2018eu\u2019, em confronto com a alteridade, ancorada num processo de rememora\u00e7\u00e3o, convertendo-se, temporariamente, numa esp\u00e9cie de axis mundi, como sucede, por exemplo em Est\u00e1tua de Sal (1969). Com efeito, escrita em 1963, em Macau \u2013 onde a autora aportou em dezembro de 1961, fugida de Goa, quando da sua anexa\u00e7\u00e3o pela Uni\u00e3o Indiana \u2013 a obra remete para a narrativa b\u00edblica. Evoca a mulher de Lot que, ao abandonar Sodoma, a cidade que ia ser destru\u00edda, desobedece \u00e0 entidade divina e olha para tr\u00e1s, sendo, como puni\u00e7\u00e3o, transformada em est\u00e1tua de sal, (G\u00e9nesis, 19:26). E, com efeito, a atitude retrospetiva atravessa todo o livro, onde as imagens dos diversos pa\u00edses conhecidos se constroem, num processo de revisita\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da mem\u00f3ria. Por conseguinte, deparamo-nos com uma narradora que, seguindo o exemplo da mulher de Lot, olha constantemente para tr\u00e1s, ou seja, para o passado. Macau assume-se como o espa\u00e7o prop\u00edcio ao irromper da mem\u00f3ria e a uma demanda de uma identidade dispersa e fragmentada pelos v\u00e1rios cantos do mundo e do tempo. Essa tentativa de (re)constru\u00e7\u00e3o da identidade, atrav\u00e9s de incurs\u00f5es interiores e exteriores, \u00e9 complementada pelos textos que constituem Passagem do Cabo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, no \u00e2mago dos v\u00e1rios espa\u00e7os figurados pela autora nas cr\u00f3nicas de A Passagem do Cabo (e tamb\u00e9m em algumas de A Revolta das palavras, 1975), Macau, em contraposi\u00e7\u00e3o com a genes\u00edaca Angola &#8211; \u201c ventre de fecundidade, Angola. Uma mina. Um manancial.\u201d (1994, p. 109), \u00e0 paradis\u00edaca mas indefinida Goa &#8211; delineia-se como um lugar enraizado numa mitologia pessoal da autora, que nele se procura constantemente. Esta demanda da unidade e da identidade individual prolonga-se, delineando-se mediante o confronto com o \u2018Outro\u2019, com os elementos distintos que marcam o povo, a cultura e os espa\u00e7os de Macau. A narradora n\u00e3o procura o que se integra no seu conceito de \u201cfamiliar\u201d, mas, sim, o distinto, o diferente, os aspetos peculiares que conduzem ao conhecimento da ess\u00eancia de distintas culturas estrangeiras, o que se evidencia na prefer\u00eancia por espa\u00e7os de profunda densidade cultural como \u00e9 o caso dos mercados e do contato com as pessoas mais simples. Neste contexto, a escrita adquire um teor ontol\u00f3gico, assumindo-se como espa\u00e7o \u201csagrado\u201d de revela\u00e7\u00e3o e de busca tanto da identidade como da alteridade. Nesta cartografia de lugares, sentidos, sensa\u00e7\u00f5es, sentimentos, e paisagens, os \u201codores da mem\u00f3ria\u201d s\u00e3o a porta aberta para uma reconfigura\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, para a imers\u00e3o num passado e num presente onde a narradora procura tra\u00e7ar um sentido de perten\u00e7a, procurando reconhecer-se atrav\u00e9s da uni\u00e3o das partes de si pr\u00f3pria que ficaram, como \u00e9 referido, no excerto abordado inicialmente, pregadas \u201c\u00e0 parede como um mapa\u201d ou recortadas na sua \u201cpr\u00f3pria sombra ao luar dos tr\u00f3picos\u201d (Braga, 1975, p. 94).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a intertextualidade emerge de um modo geral na obra de Maria Ondina Braga, como refere C\u00e2ndido Oliveira Martins, \u201cfortemente motivada pela vertente memorial\u00edstica e por h\u00e1bitos de leitora voraz\u201d (2022, p. 19). Este elemento emerge nitidamente, por exemplo, em Ang\u00fastia em Pequim (inspirada numa estada em Pequim, onde lecionou na Universidade de Estudos Estrangeiros) consubstanciado pela presen\u00e7a de lendas chinesas, que se revelam como elementos cruciais na constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e da \u201cimagem do outro\u201d na tessitura da narrativa, delineando-se como um dos alicerces do di\u00e1logo intercultural. Tal como refere Maria Ara\u00fajo da Silva: \u201cA alma da China tradicional \u00e9 apresentada atrav\u00e9s de uma acumula\u00e7\u00e3o de discursos sobre a gastronomia, os rituais, os costumes, os prov\u00e9rbios, as lendas e a poesia que exprimem o Diverso numa oscila\u00e7\u00e3o constante entre vis\u00edvel e invis\u00edvel, real e imagin\u00e1rio.\u201d (2013, p. 192).<\/p>\n<p>Por seu turno, tendo como cen\u00e1rio Macau, no ano de 1966, no romance Nocturno em Macau (1991), encontramos como protagonista, Ester (nome b\u00edblico que recorda o ex\u00edlio do povo eleito na Babil\u00f3nia), professora de ingl\u00eas portuguesa que leciona no col\u00e9gio de freiras de Santa F\u00e9. Esta personagem assume-se como uma esp\u00e9cie de \u201calter ego\u201d, de proje\u00e7\u00e3o da autora emp\u00edrica, pois as suas semelhan\u00e7as s\u00e3o not\u00f3rias, desde o facto de ser professora, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de ter aportado em Macau, fugida da instabilidade de Goa, ao fasc\u00ednio pela cultura chinesa, entre outros aspetos. Isto porque, tamb\u00e9m Maria Ondina Braga chegou a Macau em dezembro de 1961, fugida de Goa.<br \/>\nDa sua vasta obra (atualmente a ser reeditada pela Imprensa Nacional Casa da Moeda por uma equipa coordenada por C\u00e2ndido Oliveira Martins e Isabel Cristina Mateus, professores da Universidade Cat\u00f3lica de Braga e da Universidade do Minho, respetivamente), destacam-se, entre muitos outros, ainda t\u00edtulos como: A China Fica ao Lado (1968), Os Rostos de Jano (1973), A Revolta das Palavras (1975), A Personagem (1978), Mulheres Escritoras (1980), Esta\u00e7\u00e3o Morta (1980), Ang\u00fastia em Pequim (1984), A Rosa de Jeric\u00f3: contos escolhidos (1992), Vidas Vencidas (1998).<\/p>\n<p>Tendo-se fixado em Lisboa, ap\u00f3s o seu regresso de Macau, Maria Ondina Braga faleceu em Braga a 14 de mar\u00e7o de 2003.<\/p>\n<p>Em suma, na obra desta autora, a demanda da unidade e da identidade individual, prolonga-se, delineando-se atrav\u00e9s do confronto com o \u201cOutro\u201d, com os elementos distintos que marcam o povo, a cultura e os espa\u00e7os, assumindo Macau o relevante papel de uma \u201cjanela\u201d para a contempla\u00e7\u00e3o da fascinante cultura chinesa. N\u00e3o s\u00e3o as marcas de Portugal, nem da sua cultura que se almeja encontrar, mas sim o distinto, o diferente, os aspetos peculiares que conduzem ao conhecimento da ess\u00eancia de uma cultura estrangeira t\u00e3o distinta. Neste contexto, a escrita adquire um teor ontol\u00f3gico, assumindo-se como espa\u00e7o \u201csagrado\u201d de revela\u00e7\u00e3o e de busca tanto da identidade como da alteridade, pois \u00e9 contando-se que a narradora procura desvendar a ess\u00eancia do seu \u201ceu\u201d e dos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Cita\u00e7\u00f5es<\/h6>\n<p>\u201cO que significa ser neta de quatro imigrantes, fazer parte de uma fam\u00edlia que ao longo dos s\u00e9culos teve de deixar sua terra natal in\u00fameras vezes e procurar em terra estranha algum acolhimento poss\u00edvel? Ou ainda: o que significa crescer entre lembran\u00e7as de viagens e n\u00e3o conseguir sair do lugar?\u201d (\u201cDo di\u00e1rio \u00e0 fic\u00e7\u00e3o: um projeto de tese\/romance\u201d qtd. <em>in<\/em> Meneses n. pag.).<\/p>\n<p>\u201cNasci no ex\u00edlio: e por isso sou assim: sem p\u00e1tria, sem nome. Por isso sou s\u00f3lida, \u00e1spera, bruta. Nasci longe de mim, fora da minha terra \u2013 mas, afinal, quem sou eu? Que terra \u00e9 a minha?\u201d (<em>A chave de casa<\/em>: 25).<\/p>\n<p>\u201cPara escrever essa hist\u00f3ria, tenho de sair de onde estou, fazer uma longa viagem por lugares que n\u00e3o conhe\u00e7o, terras onde nunca pisei. Uma viagem de volta, ainda que eu n\u00e3o tenha sa\u00eddo de lugar algum. [. . .] N\u00e3o tenho a mais \u00ednfima ideia do que me aguarda nesse caminho que escolhi. Da mesma forma, n\u00e3o sei se fa\u00e7o a coisa certa. Muito menos se existe alguma l\u00f3gica, alguma explica\u00e7\u00e3o admiss\u00edvel para essa empreitada. Mas ando em busca de um sentido, de um nome, de um corpo. E por isso farei essa viagem de volta, para ver se n\u00e3o os esqueci perdidos por a\u00ed, em algum lugar ignoto. Sem me levantar, pego a caixinha na mesa de cabeceira. Dentro dela, em meio a p\u00f3, bilhetes velhos, moedas e brincos, descansa a chave que ganhei do meu av\u00f4. Tome, ele disse, essa \u00e9 a chave da casa onde morei na Turquia. Olhei-o com express\u00e3o de desentendimento. Agora, deitada na cama com a chave nas m\u00e3os, sozinha, continuo sem entender. E o que vou fazer com ela? Voc\u00ea \u00e9 quem sabe, ele respondeu, como se n\u00e3o tivesse nada a ver com isso. As pessoas v\u00e3o ficando velhas e, com medo da morte, passam aos outros aquilo que deveriam ter feito mas, por motivos diversos, n\u00e3o fizeram. E agora cabe a mim inventar que destino dar a essa chave, se n\u00e3o quiser pass\u00e1-la adiante\u201d (<em>A chave de casa<\/em>: 12-13).<\/p>\n<p>\u201cCheguei hoje a Istambul. Carregava nas m\u00e3os o passaporte portugu\u00eas, acreditando que me daria menos chatea\u00e7\u00f5es. Uma longa fila at\u00e9 al\u00e7ancar a pol\u00edcia federal: de um lado, os turcos, do outro, os estrangeiros. Na minha vez: you need a visa. Como assim? \u00c9 a lei, portugueses precisam de visto. Mas n\u00e3o sou portuguesa, sou brasileira. N\u00e3o, n\u00e3o sou brasileira, sou turca. Meus av\u00f3s vieram daqui, s\u00e3o todos turcos. Eu tamb\u00e9m. Veja, n\u00e3o pare\u00e7o turca? Olhe o meu nariz comprido, a minha boca pequena, os meus olhos de azeitona. Sou turca. O policial torceu o nariz: you need a visa. N\u00e3o discuti, meus argumentos nunca o convenceriam. Dei meia-volta e fui \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o. Enfezada, indignada, decepcionada. Preciso de um visto para entrar no pa\u00eds dos meus av\u00f3s? Que eles tenham nascido aqui, crescido aqui, nada disso conta? [. . .] Posso fazer turismo durante tr\u00eas meses, mas n\u00e3o posso trabalhar. Definitavamente, n\u00e3o sou turca\u201d (<em>A chave de casa<\/em>: 37).<\/p>\n<p>\u201cE assim pude partir em paz, voltar para o Brasil com a certeza de que a minha rela\u00e7\u00e3o com Portugal n\u00e3o era mais uma rela\u00e7\u00e3o com o passado, nem do passado\u201d (<em>A chave de casa<\/em>: 205).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Bibliografia Ativa Selecionada<\/h6>\n<p>Levy, Tatiana Salem (2010), <em>A chave de casa<\/em>. Editora Record: S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Bibliografia Cr\u00edtica Selecionada<\/h6>\n<p>Carmo, F.J. (1991). Uma Conversa com Maria Ondina Braga- Entrevista. O Escritor, Revista de Cultura da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escritores.<br \/>\nGago, D. N. (2016a). Ao espelho da mem\u00f3ria: Macau, lugar m\u00edtico de (re)constru\u00e7\u00e3o da identidade na obra de Maria Ondina Braga. Acta Scientiarum, Langage and Culture, v. 38(1), 1-9.<br \/>\nGago, D. N. (2020). Uma Cartografia do Olhar, Ex\u00edlios, imagens do estrangeiro e intertextualidades na Literatura Portuguesa, VN. Famalic\u00e3o, Edi\u00e7\u00f5es H\u00famus.<br \/>\nMartins, J.C.O (2022). Ed e Pref\u00e1cio. Obras Completas de Maria Ondina Braga, autobiografias ficcionais (Est\u00e1tua de Sal, Passagem do Cabo, Vidas Vencidas), Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda.<br \/>\nSilva, M. A. (2013). A experi\u00eancia da viagem na obra de Maria Ondina Braga: objectos de busca, cruzamentos e desencontros. Navega\u00e7\u00f5es (6) 2: 188-195.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascida em Braga, em janeiro de 1922, Maria Ondina Braga instaurou uma data fict\u00edcia de 1932 para o seu nascimento, do mesmo modo que outros escritores encontraram pseud\u00f3nimos. Numa entrevista concedida \u00e0 revista O Escritor, em Novembro de 1991, a autora (1922-2003) refere ter sido, aos 23 anos, a primeira jovem de Braga a ir&#8230; <\/p>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/glossary\/maria-ondina-braga\/\" class=\"gdlr-info-font excerpt-read-more\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":679,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/glossary\/712"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/glossary"}],"about":[{"href":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/glossary"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=712"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/679"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diasporasemportugues.ilcml.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}